Homenagem ao pai das revoluções africanas

Publié le par Angola-Inteligente

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Fantz Fanon foi o ideólogo das revoluções que sacudiram o continente africano durante a década dos 60 e que culminaram com a independência de Argélia em 1962.


O escritor e revolucionário Frantz Fanon foi homenageado em Buenos Aires no quinquagéssimo aniversário da sua morte. Patriota e ideólogo da luta anticolonial e antiimperialista, Fanon morreu de leucemia o 6 de dezembro do 1961 depois de ter sacudido o continente africano com Os condenados da terra (1961), entre outras obras.

Fanon contribuiu na teoria e praxe às revoluções que sacudiram todo o continente africano durante a década dos 60 e em especial ao processo libertador que culminou com a independência de Argélia do imperialismo francês em 1962.

Várias actividades político-culturais recordaram-no na capital da Argentina. O primeiro dos actos celebrou-se quarta-feira passada no marco do fechamento de actividades anuais da Universidade dos Trabalhadores que há numa fábrica de Buenos Ares liberada pelos trabalhadores.

O poeta e escritor Vicente Zito Lema vai salientar que "agora muitos falam dos direitos humanos, mas quando nos anos 60, 70 e 80 fazia falta os defender com o corpo, ninguém via os lugares onde se disputava a batalha". O famoso intelectual argentino deu testemunha do que tinha sido a luta nesta época mas também assinalou que "muitos de nós seguimos neste caminho e não calamos agora ante as flagrantes violações dos direitos humanos dos povos originários, dos camponeses, dos famintos". "Calar é complicidade e covardia e não prestar-nos-emos a este acto que só ajuda à morte e não à vida", sentenciou, no meio de ovaçons do auditório.

Pela sua banda, o jornalista Carlos Aznárez dedicou a sua alocuçao a lembrar Fanon e a sua curta mas fecunda vida, já que morreu aos 36 anos. Nascido em Martinica, Fanon destacou-se como psiquiatra e terapeuta social, revolucionando esta carreira quando lhe tocou trabalhar no Hospital de Saúde mental argelino, onde eliminou o electrochoque e humanizou radicalmente a relação com os seus pacientes, que o chegaram a defender dos ataques que começou a padecer pelas suas posições de luta, explicou.

O 1954 tomou contacto com a nascendo batalha da Frente de Libertação Nacional de Argélia (FLN), a quem dedicou os seus esforços e a sua sabedoria. Teórico sobre os problemas da negritude, ideólogo do Terceiro Mundo, obsessionado por como os colonizados caem nas práticas e costumes do colonizador, Aznárez descreveu Fanon como "um imprescindível" que "reivindicou o direito a se rebelar com os meios que façam falta para combater o racismo, o imperialismo e ao capitalismo".

"Ele e os seus livros nos ajudaram a nos formar e nos deram consciência nos 70, mas também a milhões de pessoas ao mundo, que se souberam rebelar-se ante a injustiça", assinalou, e afirmou que "como visionário que era, Fanon advertiu em alguns dos seus livros sobre os perigos que se podiam gestar nos países que rompiam com as ligaçoes colonials", como agora a carência de consciência crítica, a cooptaçao, os processos educativos que não rompiam com as pautas impostas pelas metrópoles... elementos que podiam provocar, como acabou passando em vários processos, "involuçoes nefastas".

O acto culminou com a leitura de fragmentos de livros de Fanon e do prólogo dos condenados da Terra que escreveu Jean Paul Sartre para Fanon.

A homenagem mas, concluiu a passada sexta-feira ao local das Assembleias do Povo (Chacabuco e México, no bairro de Santo Telmo), com a projecção do filme A batalha de Argélia, do cineasta Gilio Pontecorvo, um clássico que fala da luta da FLN para liberar Argélia das cadeias impostas por França.

Frantz Fanon (Fort-de-France, Martinica, 20 de julho de 1925 – Washington DC, 6 de dezembro de 1961) foi um psiquiatra, escritor e ensaísta antilhano de ascendência africana. Ele foi, talvez, o maior pensador do século XX relacionado aos temas da descolonização e a psicopatologia da colonização. Suas obras foram inspiradas nos movimentos de libertação anti-coloniais por mais de quatro décadas.
 
Fanon esteve na Argélia, onde trabalhou como médico psiquiatra no hospital do exército francês e neste hospital testemunhou as atrocidades da guerra de libertação da então colônia francesa, comandada principalmente pelo partido socialista argelino da Frente de Libertação Nacional, da qual fez parte.

Fonte:Diário Liberdade

 

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