Memorias de Angola III A reacção Portuguesa

Publié le par Angola-Inteligente Ao servoço do povo Angolano

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"Salazar e o Governo da Nação cumpriram, como aliás ninguém entre nós duvidava. A "marginal" de Luanda estava repleta de gente. Milhares e milhares de pessoas de todas as condições sociais apinhavam-se ao longo de toda a avenida para ver desfilar o primeiro contingente militar chegado de Lisboa a bordo do "Niassa". Rapazes de todos os pontos do continente, desde o Minho ao Algarve, enquadravam este contingente militar, o primeiro a acorrer à defesa de Angola e garantira que Angola ocupava o 1º lugar entre todos os problemas da Nação. Salazar prometera – Salazar mais uma vez cumpriu. Eles aí estavam a testemunhá-lo!"

 


Desfile das tropas chegadas de Portugal na marginal
(foto Manuel Graça)

 

"Luanda em peso, desde o jovem estudante até ao laborioso comerciante do musseque, Luanda desde a Baixa à Alta, desde a Ilha a S. Paulo, Luanda inteira estava para receber de braços abertos e com lágrimas nos olhos, lágrimas de emoção e agradecimento, os bravos soldados de Portugal. Ainda hoje, ao lembrar essa manifestação inegualável, as lágrimas me vêm aos olhos, teimosas e significativas, como naquele dia inolvidável.

 

 

Estava entre nós, em missão de serviço, Sua Excelência o Ministro do Ultramar, Dr. Adriano Moreira, o ministro sem medo, como Angola o alcunhou e muito bem. Acompanhado do Governador Geral, do Subsecretário de Estado da Aeronáutica e de outras entidades, o sr. Ministro do Ultramar, assistiu ao desfile da tribuna instalada na varanda do Automóvel e Touring Clube de Angola. Pudemos ver que nem mesmo ele pode conter as lágrimas quando a multidão, que o aclamava veemente, tributou aos soldados em desfile, numa espontaneidade única e indesmentível, a entusiástica e carinhosa recepção, cheia de orgulho e emoção, que lhe foi dado presenciar.(...)"


O então Ministro do Ultramar dr. Adraino Moreira
visitando Angola em 1961 (foto Manuel Graça)

 

"Angola não fora esquecida, Salazar, o grande português do nosso século, tomara sobre os seus ombros o pesado cargo da nossa defesa. Isso era uma garantia de que podíamos contar com todos os meios necessários para fazer o inimigo pagar bem caro as vidas dos inocentes barbaramente assassinados. De fora das nossas fronteiras, em vivendas de luxo, forjavam-se as intrigas e amontoavam-se os dólares e os francos que havia de pagar o manejo das catanas contra vítimas indefesas. Não vamos dizer que Moscovo ou Pequim foram mais culpados que Washigton, Praga, Conacry, ou até mesmo Londres. Talvez as culpas fossem iguais, muito embora os interesses se mostrassem com diferente disfarce. Mas entre o interesse financeiro e ideológico, para nós não havia escolha, pois que não cedemos nem a dineiro nem a ideologias que não sejam as nossas. Sempre vivemos em paz, preocupados apenas na nossa vida e não inquietando terceiros. Sempre fomos hospitaleiros e, acima de tudo, humanos. Mas também não somos nem nunca fomos covardes ou amedrontados com gritos altos. Se os nossos inimigos queria guerra, então, que ninguém tenha dúvidas: IREMOS PARA A GUERRA!"


Catanas, as armas assassinas ainda manchadas de sangue.
(foto Manuel Graça)

 

"Progressivamente e em tempo recorde, foram chegando tropas vindas de Lisboa para assegurar a defesa da Província e escorraçar o bando de assassinos que haviam feito do Norte o seu quartel-general e campo de acção, matando populações indefesas. A alegria dos que recebiam os valentes soldados portugueses à sua chegada a Luanda e a insofismável determinação destes em cumprir a sagrada missão de defender o solo pátrio, eram prova mais que suficiente de que nenhum português, fosse qual fosse a sua cor ou credo político, estava disposto a ceder perante intrusos sedentos de sangue e ouro. Os soldados de Portugal chegavam e imediatamente partiam para o Norte a ocupar posições que tomavam os bandoleiros, oferecendo-lhes uma luta sem tréguas, uma guerra sem quartel (...).

A guerra começara e estendia-se a todo o Norte, numa incansável caça aos bandidos sanguinários, nas matas, nas serras, nas povoações destruídas, em toda a parte onde o terrorismo tinha feito campo de acção (...)".


Nambuangongo. Bailundos mortos à catanada com a cabeça decepada (fotos Mauel Graça.

 

"Nambuangongo é um dos pontos mais atingidos pelo terrorismo, e onde os bandoleiros instalaram o seu quartel-general. Chegaram mesmo a colocar à entrada da zona uma tabuleta com a atrevida inscrição de que não era permitida a entrada a brancos na "República Socialista de Nambuangongo"... Para lá convergiam todos os planos estratégicos dos nossos comandos militares, visando a sua recuperação. Vários batalhões, tendo partido de pontos diferentes e seguindo rumos diversos, encaminhavam-se para Nambuangongo, procurando formal um "anel de fogo" que pudesse "caçar"os bandoleiros sem possibilidades de fuga".

 

 
Às mulheres foi-lhes espetado um pau na vagina (fotos Horácio Caio)

 

"Os obstáculos eram enormes e a região terrivelmente acidentada. O que foi a árdua caminhada desses batalhões, para a tomada de Nambuangongo, ninguém cá de fora poderia fazer uma ideia aproximada que fosse. Lutando contra a natureza que lhes era hostil e contra os terroristas que infestavam por completo a região, os soldados que marchavam para o Nambuangongo escreveram uma das mais heróicas páginas desta história do Norte de Angola (...)".


Uma criança branca degolada à catanada e o sexo de um soldado espetado numa estaca

 

"A marcha para a libertação de Nambuangongo continuava. Lenta, mas segura; espinhosa mas certa da vitória final; custosa, mas imparável até ao ponto do limite. No caminho iam ficando vidas humanas, vidas de soldados portugueses que não chegaram a ver o inesquecível dia da vitória – mas que contribuíram para ela com o máximo que podiam oferecer: - a sua própria vida. A terra ficava regada com o sangue dos portugueses que a defendiam e que, por ela, morriam gloriosamente.(...)".


Árvores derrubadas na estrada para dificultar o acesso e um carro de combate (fotos Manuel Graça)

 

"Finalmente Nambuangondo fora libertada! Depois de uma arrancada vitoriosa, de muitas vidas perdidas, Nambuangomgo estava salva. As últimas resistências terroristas desagregaram-se perante o impetuoso e inconcevível avanço das nossas tropas, que ali voltaram a hastear a Bandeira Nacional. A longa coluna militar, composta por muitas viaturas entrou na sacrificada povoação, após ter vencido, no espaço de três horas, a rampa de dificílimo acesso, com cerca de 5 km, desde a ponte do Ongo, que teve de ser reparada com vigas e pranchas de madeira de modo a permitir a passagem das viaturas a caminho do objectivo. Esta ponte foi destruída duas vezes mas a tropa, teimosamente e sob o fogo cerrado do inimigo, reconstruiu-a outras tantas".


Coluna militar e uma ponte derrubada (fotos Manuel Graça).

 

"Pouco passava do meio dia quando a longa coluna militar entrou na povoação que encontrou deserta e abandonada. Pelas 17. 45 o comando dava a ocupação consumada e às 18.15 era hasteada a Bandeira Portuguesa. Num momento e inesquecível emoção foram-lhe prestadas as honras militares por aqueles bravos de barba crescida e cobertos de pó, quase desfigurados pelo cansaço e pela constante vigília, que desceram das viaturas para se perfilarem diante da bandeira verde-rubra, da sua Bandeira (...)"


Igreja de Nambuangongo depois de reconquistada (foto Manuel Graça).

 

"Na igreja de Nambuangongo contuava a flutuar a Bandeira Nacional. Ali, dentro daquela igreja, os terroristas haviam feito o seu quartel-general, donde enviavam as ordens para todas as regiões limítrofes (...). Os bailundos eram levados pelos terroristas por meios violentos. Chamavam-lhe escravos, e eles, indígenas de Nambuangongo, apelidavam-se a si mesmos de senhores. Racionavam-lhe a alimentação, chegando a dar-lhes três tubérculos de mandioca por uma camisa. Conta-nos um que ao fugiu com os companheiros, os terroristas os perseguiram tendo morto 17 à catanada. Estiveram escondidos na mata até oportunidade de se entregarem às nossas tropas (...). Em meados de Abril, um preto caçador, de nome António Cangundo, com muitos outros, todos armados, cercou os trabalhadores e disse-lhes:

- Vocês que estão a fazer aqui? Esta terra é nossa, dos homens de Nambuangongo. Vocês são os nossos escravos. Vamos dividir o café entre nós e vocês passa agora a trabalhar para nós. Compreenderam?

 

Nambuangongo, martirizada durante meses, ninho de feras sanguinárias, estava agora a salvo, entregue à guarda da nossa tropa que tão galhardamente se batera pela sua reconquista (...)".

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