Samedi 3 mars 2012 6 03 /03 /Mars /2012 13:15

 

Kulumbimbi.jpg

 

Portugal, como conquistador e potência colonial de Angola, espalhou por este  território uma diversidade de monumentos simbolizando os três C que caracterizaram a colonização: C como civilização simbolizado pelas (Igrejas), C como comércio simbolizado pela arquitectura civil (palácios, casas comercias e residências) e C como colonização simbolizado pela construção militar (fortalezas). Alguns destes monumentos eram protegidos pela legislação colonial, pois eram símbolo de afirmação da força de Portugal em terra angolana. Nessa ordem de pensamento, podemos ler, no decreto colonial n° 161 de 25 de Maio de 1922, o seguinte: «Cambambe, Massangano, Muxima, Calumbu, São Salvador do Congo, Oeiras e tantas outras ruínas são ainda uma afirmação da nossa força...», fim de citação.

Se, por um lado, Portugal orgulha-se de perpetuar em terras estrangeiras monumentos que simbolizam a sua presença, por outro lado, os mesmos monumentos têm sido vistos e interpretados pêlos nativos das respectivas terras como símbolos da opressão. Contudo, esses monumentos continuam a merecer uma atenção particular, pois fazem parte da nossa história e do nosso património imóvel.

Um dos exemplos que ilustram nitidamente as políticas portuguesas e relações multisseculares entre Angola e Portugal é a cidade de Mbanza Kongo centro de difusão e irradiação do cristianismo na África central desde o século XV.

No quadro do seu programa de preservação do património cultural, o Ministério da Cultura da República de Angola concebeu o projecto de Mbanza Kongo que tem como finalidades:

Aprofundar os conhecimentos sobre a história do reino do Kongo, em geral, e de Mbanza Kongo, em particular, baseando-se na diversidade de documentos existentes.
Propor ao comité do Património Mundial a inscrição de Mbanza Koongo na Lista de Património Mundial.
Transformar Mbanza Kongo numa cidade turística.
Criar em Mbanza Kongo um Centro de Investigação sobre a Área Cultural Kongo.

Embora o reino do Kongo fosse partilhado por 4 países: República de Angola, Democrática do Congo, Congo Brazzaville e uma parte do sul da República do Gabão. O projecto é nacional, é da República de Angola, contudo os países atrás referidos estão informados mas não institucionalmente.

A civilização Kongo nasceu à beira do rio Lueji, sobre um impressionante planalto montanhoso. Sob o reinado de D. Álvaro I, 1565 – 1587, os padres jesuítas edificaram em 1548 uma nova igreja dedicada a Jesus, o Salvador e, com base no nome dessa Igreja, Mbanza Koongo passou a ser chamada São Salvador.

A cooperação nos domínios religioso, político, económico, cultural, etc. entre o Reino do Kongo e a Europa (Portugal, Espanha, Vaticano (Itália), a Holanda, etc.) influiu sobre a cidade:

Os pedreiros e carpinteiros portugueses deram assessoria aos autóctones que se tornaram também mestres desses ofícios que os soberanos vinham utilizando na construção e reparação dos edifícios de pedra.
 

A arquitectura vernácula cedeu lugar à arquitectura ocidental introduzindo novos materiais de construção (pedra, cal, telha, etc.).
Mbanza Koongo tornou-se uma cidade de pedra, uma cidade fortificada.
Com a devoção, o empenho e o dinamismo dos soberanos do Kongo na evangelização do Kongo, muitas ordens religiosas estabeleceram-se, em Mbanza Kongo, edificando muitas igrejas de pedra.

 

Dado o número de ordens religiosas, os autóctones deram-lhe a alcunha de Kongo dya Ngunga (Kongo dos sinos).
Sob o reinado de Mvemba Nzinga (D. Afonso I) (1506-1543), o apóstolo do Kongo, por exemplo, uma grande muralha, de aproximadamente 4,5 a 6 metros de altura e com a espessura de cerca de 75 a 90 centímetros, foi construída nos arredores do bairro real e de um bairro destinado aos Portugueses.
A maior parte das construções de grande vulto, palácio dos soberanos (Ntotela), as igrejas, os conventos, as muralhas, as residências, etc. estavam construídas em pedra e cale e cobertas de telha.
Para termos uma ideia sobre a importância da cidade, vejamos as estatísticas da população de Mbanza Kongo e arredores. Neste momento a cidade tem 100.000 habitantes, é quase a população que tinha em 1506. Os padres dominicanos que visitaram a cidade em 1610 assinalaram que a região, densamente povoada, se estendia por uma distância considerável em torno do planalto e vales vizinhos por cerca de 10 km.

A antiga capital do Reino do Kongo nasceu, cresceu e atingiu a idade de ouro e acabou por desaparecer devido aos conflitos, intrigas e às sucessivas guerras civis. O abandono a que estava votado Mbanza Kongo, as intempéries e a acção do homem, todos estes factos contribuíram para a destruição e desmoronamento total de Mbanza Kongo. Todos os vestígios de um passado glorioso foram desaparecendo soterrados.

 

O QUE É QUE FICOU DA ANTIGA CAPITAL DO REINO DO KONGO?

O que está à vista:

Igreja da Sé "Kulumbimbi"
Os nativos chamam a igreja da Sé por Kulumbimbi (kulu ou nkulu = antepassado e mbimbi significa algo de respeito. Isto significa que é um edifício que merece respeito. Como eles não viram o edifício a ser construído, ele é atribuído aos antepassados e está envolvido em mitos. Segundo a tradição oral, Kulumbimbi foi construído numa noite por pessoas desconhecidas (antepassados); quem entrava nela desaparecia e o local não molhava quando estivesse a chover. Dos nossos dias, as pessoas entram no Kulumbimbi sem desaparecer e as ruínas ficam molhadas quando chove porque teria perdido os seus poderes, teria sido profanado com a ocupação estrangeira.

Coluna
Yala Nkuwu (árvore de força) "Boas vindas" O Yala Nkuwu significa boas vindas. Esta árvore seria a única espécie que existe na região. Nunca foi estudada cientificamente. A seiva desta árvore é vermelha. Assim, tem havido especulações à volta desta árvore. A tradição reza que, debaixo de Yala Nkuwu, os reis eram entronizados, recebiam as visitas, promulgavam as leis e administravam a justiça.

A queda de uma folha é sinal de mau augúrio, anunciando a morte de um chefe. E nas eleições, antes da intromissão dos Portugueses nos assuntos políticos internos do Reino, os candidatos ao trono sentados sob a árvore, após o ritual, uma folha caía e pousava sobre a cabeça de um dos candidatos. Este sinal significava que era o candidato escolhido ou indicado pêlos antepassados. E a assistência proclamava e anunciava o novo rei.

Ruínas no bairro Kiditu
Cemitério da mãe de Mvemba Nzinga (D. Afonso I) O ntotela Mvemba a Nzinga - D. Afonso I - mandou enterrar a mãe, pois esta não quis abandonar a cultura kongo. Recordemos que Mvemba a Nzinga, após a tomada do poder, convocou todos os chefes do reino ordenando o seguinte: «Deixem de honrar os feitiços, de crer em amuletos, agora que vimos a cruz do filho de Deus. Todo aquele que os honrar será condenado à morte», fim de citação. E como a mãe não abandonou os amuletos foi enterrada viva, para servir de exemplo.
O surgimento da nova cidade de Mbanza Koongo

Por cima das ruínas das antigas construções nasceu a nova cidade, a actual capital da província do Zaire.
Durante a ocupação efectiva colonial portuguesa, o montão de pedras de diversas construções serviu de material para a construção dos edifícios administrativos, das missões católicas e protestantes (igrejas, conventos, escolas) e da construção das residências e casas comerciais.
A recuperação dos materiais de construção para a edificação da actual vila fez desaparecer quase totalmente as antigas ruínas tendo-se somente preservado as ruínas da «Sé» (Kulumbimbi), a coluna, e YalaNkuwu.

A preservação das Ruínas de Mbanza Koongo

Tentando preservar o resto das ruínas da Sé à vista e dos espaços (palácio dos soberanos, etc.) achados existirem restos das fundações soterradas, a então Comissão dos Monumentos Nacionais mandou classificar, em 1957, uma parte da vila como Zona Histórica.
Contudo, não obstante a classificação da Zona Histórica de Mbanza Kongo, esta nunca foi objecto de uma verdadeira preservação.
Após a classificação da Zona histórica, a então Comissão dos Monumentos Nacionais, propôs ao Governador-geral de Angola e ao Governador de distrito do Zaire que os restos dos antigos edifícios fossem enquadrados nos espaços verdes com vista a constituir uma zona histórica-arqueológica que pudesse ser integrada no programa do desenvolvimento urbano.

De 1965 a 1970, houve diversas obras urbanas:

A urbanização da cidade
Abertura de valas para os cabos eléctricos e canalização de água.
A abertura e pavimentação das ruas.
Estes trabalhos permitiram a divisão da Zona histórica em duas:

A zona menor, interdita a todo o tipo de construção
A zona maior, condicionada e dependente do resultado das escavações arqueológicas.
Forneceram pistas para o início das escavações arqueológicas.
Destas escavações, foram desenterrados e encontrados:

As ruínas do Paço real;
As ruínas de um convento;
As ruínas de um muralha;
As ruínas de diversas fundações;
Esqueleto humano;
Numerosas ossadas humanas;
Contas;
Missangas;
Cacimbo de barro;
Duas moedas de cobre de 1873 e 1892;
Argola;
Caurins soltos;
Contas vítreas;
Pulseiras
Cordão de ouro;
Cordão de prata dourado;
Diversos farrapos de tecidos bordados e franjas com fios metálicos dourados.

Entretanto, quando começaram a desenterrar as importantes fundações até então ocultas, as autoridades municipais de São Salvador do Congo mandaram suspender todos os trabalhos de escavações cobrindo as valas de pesquisas, tapando os alicerces postos a descoberto. As ruas foram asfaltadas. Nas duas zonas - menor e maior - foram construídos edifícios definitivos.

Os vestígios da antiga capital do Reino do Kongo voltaram para o subsolo.

É assim que Mbanza Kongo continuam a constituir a mais desconcertante decepção que surpreende tristemente numerosos visitantes nacionais e estrangeiros que ali vão na esperança de encontrar os vestígios de uma cidade que teve um passado glorioso.

Com o fim da guerra civil e com o regresso da paz, e graças aos perseverantes esforços do Ministério da Cultura, Mbanza Kongo sortirá debaixo da terra onde j az há muitos séculos. O desenterro das" ruínas da antiga capital do Reino do Kongo abrirá novas perspectivas para a salvaguarda e valorização do Património da República de Angola e ajudará ao conhecimento e à compreensão da história da antiga capital do reino do Kongo, em particular e do reino do Kongo em geral.

 

Fonte:

EMMANUEL ESTEVES
Historiador e Investigador do Arquivo
Histórico de Angola 

 

 

 

Par Angola-Inteligente - Publié dans : Africa
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Lundi 20 février 2012 1 20 /02 /Fév /2012 22:18

 

 

 

mundoArabe_PPPA.jpg

 

Os protestos violentos que são expressos novamente em Tahrir Square, no Cairo trazem muitas perguntas sobre o momento atual dos processos revolucionários no mundo árabe. É obviamente muito cedo para escrever a história, mas podemos fazer várias observações.

Primeiro comentário:

Ao contrário do que é repetido diariamente, parece errado para caracterizar os movimentos durante a "Revolução". De fato uma revolução envolve a destruição de um sistema político e social e substituí-la por outra, ou não estamos nesse ponto. Feitos pelos casos de Tunísia e Líbia, que são de outra maneira muito diferentes umas das outras, não há partos de sistemas políticos e sociais. Isso faz de modo algum relativizar a imensa importância política da onda de choque que viaja o mundo árabe desde o início do ano, que vai continuar a crescer por vários anos, e é mais preciso para descrever os processos revolucionários.

Segundo comentário:

A expressão da primavera árabe é apropriada?

Sim e não. Sim, porque o grande movimento pela dignidade e liberdade é a expressão de um renascimento no mundo árabe e da capacidade dos seus cidadãos e seu povo para quebrar o muro do medo que tomou conta por décadas. Que está a acontecer neste sentido é comparável ao que os historiadores chamaram de "primavera das nações", sobre os movimentos de mobilização revolucionária que abalou a Europa em meados do século XIX. Não, porque a análise que alguns comentadores e políticos tenham manifestado durante a primavera em um "efeito dominó", que tiraria os regimes um após o outro provou inteiramente ilusória. Se as causas - social e política - de revoltas são praticamente os mesmos no mundo árabe, eles não podem produzir os mesmos efeitos por uma razão simples: cada estado-nação, dependendo de sua história, o equilíbrio de poder dentro dele não pode reagir da mesma que a de seus vizinhos. É por isso que os movimentos de protesto de alguns países tenham tomado um rumo trágico e da queda política seguiu rapidamente na primavera.

 

Terceiro comentário:

Sobre a questão dos programas alternativos de partidos da oposição.


As ditaduras que marcaram o mundo árabe durante várias décadas tornam impossível surgir em poucas semanas de novos partidos políticos diversos, influentes e estabelecida. Adversários de valor histórico, com coragem notável, continuaram durante o ano para brilhar um raio de esperança muitas vezes não têm base social e são relativamente isoladas. Em alguns países, uma exceção à regra com o caso da Irmandade Muçulmana, porque eles são os únicos que são realmente organizados e têm redes de influência real dentro de amplos segmentos das sociedades. Eles são frequentemente observados ter sofrido perseguição dos regimes tirânicos e são reconhecidos nesta fase, como os homens que resistiram à corrupção. Estas características merecem ser explicado pelo país para a Irmandade Muçulmana ter desenvolvido uma espécie de nacionalismo islâmico, adaptando a cada Estado-nação, o que significa em outras palavras, que não existe uma Irmandade Muçulmana internacional. Por fim, descobrimos que as partes que incorporam deles são a favor de coligações com outras forças políticas, incluindo os nacionalistas e os social-democratas, como é o caso na Tunísia e Marrocos. Esta aprendizagem de compromisso político é um cenário muito positivo para a implementação gradual de democrática e pluralista sistemas políticos.

Quarto comentário:

A relação com a democracia. 

A democracia não é um sistema que possa ser importado de fora. Deste ponto de vista, a tragédia do povo iraquiano, as vítimas do unilateralismo da administração "neo-conservadora" de George W. Bush não deve ser esquecida. A implementação de um sistema político democrático é um processo que pode ser longo e que nunca é linear. Em outras palavras, pode haver períodos de estagnação ou mesmo declínio. Por estas razões, não pode haver um modelo turn-key que bastaria copiar. Por outro lado, parece necessário dizer que certos princípios e valores são universais: a igualdade entre homens e mulheres, o respeito pela mudança política quando ela é a expressão de um processo eleitoral livre ...

Quinto comentário:

A questão do modelo turco.

 

Nas relações entre Estados, na verdade é muito raro que um modelo, e quando houve, foi um desastre. Turquia pode servir de modelo para as razões que estão relacionados com a sua história. A república foi proclamada há quase cem anos de transição democrática ocorreu após a Segunda Guerra Mundial. Claro, esta democracia tem visto muitos entre parênteses as múltiplas intervenções dos militares no campo político. O fato é que os cidadãos turcos adquiriram ao longo de décadas de prática inquestionável experiência democrática. Os países árabes têm uma história diferente, povo árabe tem outras experiências. Portanto, seria errado eles tentam reproduzir mecanicamente a situação na Turquia. Estes parâmetros são colocados, no entanto, é óbvio que óbvia: a Turquia é uma fonte de diálogo, reflexão e troca de cidadãos árabes. Além disso, sua afirmação como a principal potência no Oriente Médio é um parceiro fundamental.

Estas poucas observações muito breves mostram que, realmente, não existe um pensamento ideológico para compreender os processos revolucionários que se desenvolvem no mundo árabe e que devemos talvez, inventar novos quadros analíticos para compreender esta dinâmica.

  

Par Angola-Inteligente - Publié dans : Africa
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Lundi 20 février 2012 1 20 /02 /Fév /2012 22:05

 

Muana-Mpuo-Jose-Redinha-MascaraReduced-2.jpg

1. Angola Nação Jovem

Angola como nação é ainda uma realidade jovem na comunidade das nações. A Nação Angolana é de facto um todo que é feito por dez povos, ou grupos étnicos, como também são designados, e que no partilhar do que têm em comum estão ainda cimentando a construção da Nação Angolana. Alguns destes povos estão mais (ou menos) empenhados neste processo que outros, embora todos façam parte da mesma.

A coesão destes povos numa só nação começou nos últimos tempos do período colonial, e tomou forma na resistência comum (se bem que não centralizada) à soberania portuguesa. A luta de libertação ajudou a catalizar esta unidade nacional, que por sua vez tornou possível uma Angola una e independente.

Se bem que a Guerra Civil Angolana, que assolou o país entre 1975 e 2002, tenha maiores raízes na Guerra Fria, que os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (USSR) travaram durante 40 anos pelo controle do mundo, podemos dizer que o conflito angolano tinha também raízes tribais. Só com a paz alcançada em 2002 é que a nação Angolana pôde finalmente retomar livremente a orientação de unidade nacional.


2. Estados, Nações e Território em África

Como a maioria das nações africanas, a Angola de hoje é um produto do colonialismo europeu, que depois da Conferência de Berlim em 1885, não conhecendo as fronteiras dos territórios dos povos africanos, dividiu a África em colónias sem obedecer a qualquer geohistória dos povos subjugados.

Esta repartição cega de África teve lugar nas chancelarias europeias, sem qualquer consideração pela história e soberania dos povos africanos no terreno. Assim, as fronterias das colónias africanas atravessam territórios antes unidos sob a soberania de vários estados nativos, resultando na geopolítica actual africana, onde encontramos o território tradicional dos antigos estados africanos repartido entre vários estados actuais, como são os exemplos do Império Lunda e do Povo Bakongo, que se repartem entre Angola e o Congo (Kinshasa), ou dos povos Herero e Ambó, que agora está repartido entre Angola e a Namíbia, ou ainda dos Khoisan que se repartem por um território tradicional ainda maior que inclui partes de Angola, Namíbia e Botswana; ou ainda dos territórios actuais que incluem vários estados antigos, como ainda é o exemplo do território actual de Angola, que inclui parte dos territórios de dez povos que anteriormente ao colonialismo europeu faziam parte de estados independentes com soberania própria e efectiva sobre o seu território tradicional.


3. Homem e Tempo em História

No estudo da história encontramos duas unidades fundamentais: "homem" e "tempo". Quando nos referimos a "homem" queremos dizer grupo, sociedade, povo, nação, civilização ou humanidade, e quando nos referimos a "tempo" queremos dizer evolução, época ou período. Assim nesta Viagem Pela História de Angola, usarei muito a perspectiva de "povo", e tentarei sempre enquadrar a História de Angola de acordo com "períodos" claramente agrupados e definidos. Voltaremos mais tarde a estes tópicos quando aprofundarmos algumas noções fundamentais de história no próximo troço desta Viagem (Um Pouco de Historiografia). Contudo, acho oportuno investigarmos neste momento o conceito de "povo" no contexto da História de Angola, pois penso que nos vai ajudar um pouco nesta nossa Viagem.


4. O que é um Povo?

O que é que define um povo? De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa, Edição de 2004, da Porto Editora, um "povo é um grupo de indivíduos que tem a mesma origem, a mesma língua, e partilham de instituições, tradições e costumes e um passado económico e histórico comum". A esta definição podemos adicionar mais identidades como o tipo genético, cultura, a religião, o modo de produção, e o território, que decerto nos ajudam muito a classificar grupos humanos de acordo com as suas características mais importantes.

Contudo, o conceito de "povo" é ainda fluido e nunca inteiramente homogéneo, pois está sempre em constante evolução e mutação, nunca "cristalizando" numa determinada forma; assim, ao longo do tempo, certos povos e nações deram origem a outros povos e nações, como é o exemplo da maioria dos povos da Europa de hoje.

Sob o risco de ser erroneamente compreendido como advogando uma perspectiva tribal (e não nacional), que de forma alguma é a minha intenção, usarei o termo "povo" e não "grupo étnico" ou mesmo "grupo etnolinguístico", para designar os grupos que partilham um território nacional específico, praticam a mesma economia, falam uma língua específica, e vivem uma identidade cultural diferente de todos os outros, pois, com a excepção de governo próprio independente e soberania territorial, reúnem todos os predicados para que sejam designados como povos e não somente como grupos étnicos.


5. Povos na História de Angola

Contudo, na formulação da História de Angola é importante que nos debrucemos sobre o estudo da histórias destes povos antes, durante, e depois da sua inclusão no universo histórico a que chamamos Angola. Assim, e a tom de introdução sobre o capítulo "Os Povos de Angola", apresento uma resenha muito geral de cada povo, indicando o seu percurso histórico de migração, território que ocupavam, economia que praticavam, língua que usavam, e alguns dos aspectos mais significativos da sua economia, estrutura social e cultura, bem como uma breve referência aos seus heróis e acontecimentos mais notáveis da sua história.

Este esboço inclui os povos pré-Bantos Khoisan, Cuepes e Cuíssis e os povos Bantos que num movimento migratório que durou mais de seis séculos vieram estabelecer-se no actual território de Angola, que inclui os povos Bakongo, Ambundo, Lunda-Quioco, Ovimbundo, Nganguela, Nhaneca-Humbe, Ambó, Herero e Xindonga, bem como o grupo híbrido dos Quimbares na região de Namibe (Moçamedes) que resultou da misceginação de indivíduos oriundos de grupos étnicos diferentes que foram atraídos para trabalhar na indústria da pesca, e as sociedades crioulas composta de mestiços que resultaram do cruzamento genético e sincretismo social e cultural entre os povos tradicionais africanos e os Portugueses ao longo de quase cinco séculos.

 

Fonte: Helder Ponte

Par Angola-Inteligente - Publié dans : Africa
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Lundi 20 février 2012 1 20 /02 /Fév /2012 21:49

 

 

manuel-vicente-sonangol-mb_not_alto.jpg

 

Sempre de bom humor, um sorriso de sedutor ... Manuel Vicente, 55 anos, é exatamente o oposto de José Eduardo dos Santos, o chefe de Estado o mais secreto do continente. No entanto, este ex-jogador de futebol, formado em eletrónica, é um dos principais supostos sucessores do Presidente angolano. Desde 1999, ele liderou a (toda-poderosa) empresa petrolífera Sonangol, que produz quase 2 milhões de barris por dia (quase tanto como a Nigéria). Nos últimos anos ele fez da Sonangol um Hedge Fund. Como parceiro da Isabel dos Santos, a filha mais velha do presidente angolano, ele montou o Esperanza Holding, que investe com força em Portugal.

 

Preparar a impunidade jurídica do "clã Dos Santos"
Desde 30 de janeiro ultimo, Manuel Vicente é ministro de Estado para a Coordenação Económica. Na Sonangol, deixou o lugar a seu braço direito, Francisco de Lemos José Maria  (que tranquiliza os clientes chineses e ocidentais).

Porquê Manuel Vicente integrou o governo? "Para preparar-se para uma possível sucessão ao PR, segundo um ex-executivo do partido no poder, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Dos Santos fará 70 anos de idade neste ano. Ele vai certamente ficar para a próxima eleição de setembro (data de fim da legislação) após o qual o cabeça de lista do partido vencedor torna-se presidente. Mas o dia que ele irá deixar o poder, ele terá que assegurar ao seu clã familiar uma impunidade judicial. Com o Vicente, ele não tem muito que se preocupar segundo uma pessoa próxima do PR. "

O problema é que os apparatchiks do MPLA não estão todos de acordo. Certamente, em 2009, Vicente entrou para o Bureau Político (BP) do partido, mas para os veteranos da guerra contra a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), ele é um novato sem registro de serviço, não tem raízes nem no partido nem no exército. Algumas semanas atrás, o BP se reuniu para designar os números dois e três do MPLA na lista da próxima legislatura. Sabemos de fonte segura que, o futuro número um (Dos Santos, propôs Manuel Vicente como número dois. Mas a "velha guarda" do BP não disse sim, e adiou-se a decisão para meados de fevereiro, Dos Santos irá provavelmente forçar a mão aos reticentes do partido ( encabeçados por Higino Carneiro).

 

 

 

A época da "caça as bruxas"
 

A presidência da republica possui uma "lista vermelha" com dados e tudo sobre altas figuras do Estado e os seus investimentos no setor privado, lista que serve de instrumento de chantagem e intimidação contra aqueles que tentarem contrariar o PR, a lista foi obtida por um "cruzamento" de informações de todos os serviços de inteligência do Estado, tanto militar como civil, o que permitiu ao PR de obter "tudo sobre todos", e mesmo figuras consideradas como sendo as mais próximas do PR temem a tal lista vermelha. Ao permitir o enriquecimento ilícito dos membros dirigentes MPLA e do exercito, o JES assegurou-se que nunca será traído pelos mesmos, e prova disso é que ele nada possui em seu nome. O super ministro M.V vai nos próximos dias tentar convencer os céticos e outros ambiciosos que, nada será feito sem ser a vontade de JES.

Par Angola-Inteligente - Publié dans : Africa
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Dimanche 11 décembre 2011 7 11 /12 /Déc /2011 09:47

sub-saharan-africa-mineral-resources-and-political-instabil.jpg

 

Este capítulo analisa a taxa de redução da pobreza em África em comparação com outras regiões em desenvolvimento e caracteriza o actual estado e as tendências do desenvolvimento humano em África, com base no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.


Relativamente à questão da redução da pobreza, na Declaração do Milénio adoptada no ano 2000, a comunidade internacional traçou como objectivo erradicar a pobreza extrema e a fome. Especificamente, foram traçadas duas metas nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM): para o período entre 1990 e 2015, reduzir para metade a percentagem de pessoas cujo rendimento é inferior a 1 USD por dia e reduzir para metade o número de pessoas afectadas pela fome. Apesar de África ter progredido na redução da pobreza, a região tem registado, neste domínio, uma taxa de redução inferior relativamente a outras regiões em desenvolvimento, o que se deve a três factores principais. Em primeiro lugar, os elevados níveis de crescimento económico em África apenas se têm registado desde o ano 2000, pelo que as taxas médias de crescimento desde os anos 1990 não eram suficientemente elevadas para terem um impacto substancial sobre a pobreza. Em segundo lugar, o crescimento em África não tem sido suficientemente elevado nos sectores onde a população pobre reside ou trabalha. Apesar desta situação ter melhorado em vários países desde 1996, o crescimento africano resulta normalmente de sectores que têm uma fraca ligação com o resto da economia, não tendo por isso um impacto significativo na criação de emprego e na redução da pobreza. Em terceiro lugar, a desigualdade relativamente elevada em África demonstra que o crescimento tem beneficiado uma pequena parte da população, sendo os benefícios limitados para os mais pobres. Desta forma, as políticas de redução da pobreza necessitam de combinar um crescimento económico elevado com a redução da desigualdade, assegurando ao mesmo tempo que os sectores de crescimento económico têm uma abrangência maior.

No que concerne ao desenvolvimento humano, a criação do Índice de Desenvolvimento Humano pelo PNUD em 1990 foi motivado pelas limitações do rendimento nacional como medida de desenvolvimento. A criação deste Índice reflecte uma abordagem do desenvolvimento centrada no indivíduo. Apesar de África no seu conjunto ter apresentado, em 2010, o IDH mais baixo de todas as regiões, os dados revelam que entre 2000 e 2010 todos os países africanos, à excepção do Zimbabwe, melhoraram o seu desenvolvimento humano. Em média, a África Subsaariana registou o maior progresso de todas as regiões. O IDH desta região aumentou cerca de 23%, seguido do sul da Ásia onde o aumento foi de 17% durante o mesmo período. Este avanço resultou do aumento do rendimento per capita na maioria dos países africanos durante a última década e de um progresso real no acesso ao conhecimento e a cuidados de saúde melhorados. De certa forma, o avanço assinalado em termos de desenvolvimento humano entre 2000 e 2010 ficou a dever-se também aos reduzidos níveis iniciais de IDH registados no ano 2000 após o declínio deste índice entre 1990 e 2000.

Para manter os avanços alcançados em matéria de desenvolvimento humano, África necessitará de empreender acções em vários domínios, e não apenas focar-se num único objectivo. A título de exemplo, o crescimento económico permitirá melhorar o desenvolvimento humano se for direccionado para os pobres. Da mesma forma, para que o investimento em sectores sociais produza um desenvolvimento humano sustentado, tem de ser acompanhado por medidas que visem a criação de mais oportunidades económicas que beneficiem largos segmentos da população. Para além disso, algumas dimensões do desenvolvimento humano, como é o caso da igualdade de género, só serão melhoradas se os governos africanos fizerem uma escolha deliberada na adopção de políticas que promovam este objectivo em particular. Neste aspecto, a qualidade das políticas económicas será provavelmente tão importante como os recursos utilizados para promover o desenvolvimento humano em África.


 

Situação macroeconómica e perspectivas futuras


Este capítulo analisa o desempenho e as perspectivas económicas do continente africano, dos seus países e regiões. Aborda igualmente os principais motores do seu desenvolvimento e debate as oportunidades e os riscos de uma recuperação sustentada. A principal conclusão é a aceleração do crescimento africano em 2010 – e a recuperação deverá continuar, se bem que a um ritmo mais moderado. O continente beneficia de um maior crescimento do comércio mundial e dos altos preços das mercadorias, bem como do alargamento da recuperação. Em paralelo, os elevados preços dos produtos alimentares e do petróleo estão a restringir o rendimento dos consumidores africanos. Em muitos países, nomeadamente no Norte de África e na Costa do Marfim, a recente agitação política e a incerteza reinante influenciarão as perspectivas de crescimento para 2011.


 

A inflação está a subir de novo devido à subida dos preços dos produtos alimentares e do petróleo



A taxa de inflação média de África, que desceu para os 7,7% em 2010 (em 2009 foi de 10,1%), deverá subir marginalmente para os 8,4% em 2011, para depois recuar novamente para 7,4%, em 2012. A mediana da inflação, que não é afectada pelos países com taxas extremamente elevadas, registou 4,7% em 2010 (uma descida em relação aos 7,1% de 2009), e prevê-se que acelere para 5,9%, em 2011, antes de voltar a descer para 5,3%, em 2012. A principal causa para a subida da inflação em 2011 é o aumento dos preços da energia e dos produtos alimentares. Entre os 51 países cobertos por este relatório, a maioria registará taxas de inflação entre os 2 e os 5,5%, em 2011 e 2012. Não é uma taxa excessiva, principalmente para países em desenvolvimento, pois parte deste aumento advém da subida dos preços de importação de energia e de alimentos, pelo que a inflação base é baixa. Mas  em alguns países (tais como, a Etiópia, Sudão, Egipto e Angola) espera-se que a inflação permaneça acima dos 10%.


O desafio da redução do desemprego jovem


 
A actual recuperação económica deverá reduzir a componente cíclica do desemprego em África, porém, o desemprego estrutural manter-se-à muito elevado em diversos países. No norte de África, onde a actividade económica foi seriamente perturbada pelas convulsões políticas, o desemprego deverá crescer ainda mais em 2011. Nesta região, o desemprego jovem é um problema considerável que muito contribuiu para a agitação política que levou ao derrube dos governos na Tunísia e no Egipto. Segundo um estudo recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa de desemprego jovem no norte de África atingiu os 23,7% em 2009 (mas abaixo dos 26,5% de 1998) e estima-se que esteja, em 2010, nos mesmos níveis (OIT, 2010). É o dobro da taxa da África Subsaariana, que registou 11,9% de desemprego jovem em 2009 (uma descida em relação ao valor de 1998 – 13,5%) (OIT, 2010).

Esta relativa baixa taxa de desemprego jovem na África Subsaariana, registada neste estudo da OIT, não deixa de ser surpreendente. Como é muito difícil ter acesso a dados fiáveis sobre o mercado de trabalho, parte desta baixa taxa pode ter, na origem, problemas estatísticos. No entanto, com os altos níveis de pobreza e a ausência de alternativas melhores, no mercado de trabalho ou na educação, esta relativa baixa taxa de desemprego também reflecte a necessidade de sobrevivência das pessoas, o que as leva a aceitar qualquer tipo de emprego, incluindo trabalhos indignos (OIT, 2010). Outra razão é que as pessoas desistiram de procurar emprego, dada a falta de oportunidades e não estão contabilizadas como desempregadas.

Nalgumas zonas do continente africano, os mercados de trabalho não têm sido suficientemente flexíveis para absorver a crescente oferta de mão-de-obra jovem. Com o constante crescimento da população africana, a pressão sobre o mercado de trabalho continua a aumentar. Na última década, a população de África aumentou mais de 217 milhões, sendo superior a mil milhões. Um quinto da população está na faixa etária dos 15 aos 25 anos, a idade de entrada no mercado de trabalho e consequente procura de emprego. Tanto a população total como a jovem aumentaram 23%, ou 2,3% anuais, de 2000 a 2010. Na presente década, as projecções apontam para um crescimento da população superior a 23% (2,1% ao ano), e a população jovem deverá crescer quase 20% (1,8% por ano). Se na África Oriental, Central e Ocidental continuam as pressões demográficas sobre os mercados de trabalho, já no norte de África e na região subsaariana, onde o crescimento populacional é mais moderado, a população jovem deixará de crescer, permanecendo nos níveis actuais (ver Tabela 1.2).

É necessária uma abordagem abrangente para responder ao problema do desemprego, de uma forma geral, e do desemprego jovem, em particular. São necessárias alterações tanto do lado da oferta como do lado da procura, com desenho de políticas adequadas às especificidades de cada país. Em muitos países, é preciso fazer mais para melhorar a qualidade da oferta de mão-de-obra, para se ajustar de forma mais adequada às competências de que as empresas necessitam. Isto também se aplica aos detentores de graus universitários, que são vulneráveis ao desemprego se as suas competências não se ajustam às exigências do trabalho. Simultaneamente, é preciso impulsionar a procura de mão-de-obra, através da melhoria das condições para o crescimento económico, de uma forma geral, e para a actividade do sector privado em particular, incluindo a criação de novas empresas.



 

Governação política

 
O ano de 2010 ficou marcado pelo recrudescimento dos protestos civis, com origem naquilo que muitos africanos sentem como injustiças, tanto em termos económicos como em termos mais globais. No entanto, apesar do aumento dos protestos públicos, tem vindo a registar-se uma diminuição de respostas governamentais violentas e de medidas restritivas da actividade política (limitações à liberdade de imprensa, proibição de manifestações, etc.) desde 2009. A resposta governamental tem sido muito menos violenta do que em 2008. A Freedom House, porém, continua a classificar vinte e um países africanos como «não livres».
Em 2010, tiveram lugar eleições pacíficas em 13 países. As eleições presidenciais na Guiné, que puseram fim à crise institucional gerada pelo golpe de Estado em 2008 e o pacífico referendo constitucional realizado no Quénia foram marcos importantes, após a violência pós-eleitoral de 2008. A crise e a violência generalizada na Costa do Marfim, após a polémica eleição presidencial, em Novembro, constitui-se como o ponto mais negativo.
O primeiro trimestre de 2011 foi um dos mais turbulentos da história do continente africano. Na Tunísia e no Egipto, levantamentos populares pacíficos enfrentaram regimes autoritários. Na vizinha Líbia, os protestos acabaram por levar a uma situação de guerra civil e à intervenção militar da comunidade internacional.
 
Não é fácil prever o que vai acontecer nestes três países, e nos países vizinhos, ou quais serão as repercussões para além do Norte de África.
O ano de 2011 terá sido marcado por um número recorde de actos eleitorais, com 28 eleições a nível nacional, em 20 países. Um importante acto eleitoral foi o referendo no Sul do Sudão, em Janeiro último, onde se decidiu pacificamente a separação do Norte do Sul do país, que entrará em vigor em Julho de 2011.
 
Este capítulo leva em conta os acontecimentos do início de 2011 para descrever o panorama político da África em 2010. A análise é baseada num conjunto de dados que abrangem a tensão civil nos últimos 15 anos na forma de greves, manifestações, vítimas de violência por parte de agentes não governamentais. Também leva em conta as respostas do governo sob a forma de violência, as detenções, as proibições, toques de recolher e os estados de emergência como medidas de repressão, bem como o levantamento dessas proibições, liberações de presos políticos e outras medidas de conciliação em 25 países Africanos. Ver metodologia do anexo estatístico para mais detalhes. A análise também é baseada nas medições de liberdade e democracia da Freedom House e Repórteres Sem Fronteiras.
 
 
Fonte: pink'sblog 27/10/2011
Par Angola-Inteligente - Publié dans : Africa
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires

Recherche

Calendrier

Mai 2012
L M M J V S D
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31      
<< < > >>

Profile

  • Association
  • 20/05/2004
  • Angola-Inteligente
  • o Blogue de Angola-Inteligente
  • Um blogue centrado em temas sobre Angola e África, todas as informações aqui publicadas foram verificadas.
Créer un blog gratuit sur over-blog.com - Contact - C.G.U. - Rémunération en droits d'auteur - Signaler un abus - Articles les plus commentés